Archive for August, 2006

O olhar


Foto: Michel Téo Sin

“O indivíduo só enxerga aquilo que é capaz de ver, que foi educado a ver, o nosso olho é dirigido pela dimensão sociocultural e a evolução do nosso olhar está ligada aos desejos e necessidades de um determinado momento, que nos orientam e interessam”

Simonetta Persichetti

Essa frase da Simonetta Persichetti aborda um assunto interessante que é O Olhar.

Temos olhares diferentes. A fotografia que ilustra este “post” é uma prova disso. Ela pode parecer uma coisa para uns ou algo completamente diferente para outros, mas na realidade são cadeiras de plásticos verdes empilhadas.

O olhar de uma pessoa é formada pela experiência de vida que ela possui. Os lugares que passou, os filmes que assistiu, as músicas que ouviu, as pessoas com quem conversou, os cheiros que sentiu, todas essas experiências que uma pessoa viveu constroem o olhar, o modo de ver o mundo.

Atualmente, a grande maioria das pessoas possuem um olhar condicionado a ver as coisas da mesma maneira sempre. Isto se dá por causa que vivemos hoje uma era onde somos “bombardeados” por muitas informações a todo instante. Com isso tentamos absorver as informações o mais rápido possível e por conseqüência as pessoa vêem mais apenas com os olhos e não mais com o conjunto olho-cérebro-alma.

A fotografia liberta o olhar. Mostre às pessoas como você vê o mundo.

Domine sua ferramenta


Foto: Michel Téo Sin

Muitos fotógrafos se sentem limitados por causa dos seus equipamentos. Acreditam que com câmeras melhores, lentes diferentes e outros equipamentos fariam melhores fotos, ou não se sentiriam tão presos.

Os equipamentos que o fotógrafo possui são as suas ferramentas, assim como os pincéis, tintas e telas são para o pintor. As ferramentas não devem limitá-lo e sim, o fotógrafo adaptar-se aos equipamentos que tem e extrair o melhor que elas podem oferecer.

É possível fazer uma analogia simples com uma corrida de carros. Em uma pista há carros que são mais velozes nas retas, e outros nas curvas, mas o tempo que eles fazem uma volta na pista são muito parecidos. O resultado final depende muito do talento do piloto.

Na fotografia é a mesma coisa. Não é relevante prender-se tanto com os equipamentos, mas é necessário saber as características das ferramentas para conhecer as suas qualidades e limitações. Isto é muito importante, pois assim sabe-se o que deve ser explorado.

O que importa é a fotografia em sí. As informações que são trasmitidas e a maneira que é comunicada, os sentimentos, o momento e o olhar são muito mais importantes do que o equipamento que foi utilizado.

A fotografia transforma o mundo.


Foto: Michel Téo Sin

A fotografia não foi uma invenção de uma pessoa só. Foram várias pessoas que contribuíram para que a fotografia ser o que é hoje. Pessoas de diversas áreas como físicos, químicos, artistas criaram a fotografia. Todos eles tinham em comum o fascínio de ver, estudar e entender os efeitos que a luz podia exercer em diversos objetos.

O mais interessante é que antes mesmo dos primeiros estágios do desenvolvimento da fotografia, há uma fantástica previsão feita por De la Roche em uma obra escrita chamada Giphantie. Em um conto fictício ele menciona a possibilidade de captar imagens da natureza com uma tela revestida por uma superfície pegajosa. Essa superfície além de obter uma imagem espelhada na tela, manteria a imagem. Depois de seca no escuro, a imagem ficaria registrada permanentemente. De la Roche nem imaginava que sua história se realizara decádas após sua morte.

Fotografar tornou-se uma atividade de grande expansão por todo o mundo. Rapidamente mais pessoas fotografavam. Em 1853, cerca de 10mil americanos produziam três milhões de fotos. Três anos mais tarde a Universidade de Londres incluía a fotografia em seu curriculo.

Em 1888, a Kodak de George Eastman lançou no mercado uma câmera portátil, fácil de operar, de baixo custo juntamente com os processos industriais de fabricação e revelação de filmes. Pode-se dizer que a Kodak ajudou a popularizar a fotografia.

A câmera fotográfica a partir disto tornou-se um instrumento de fazer história. Deu ao homem a possibilidade de mostrar a visão do mundo real a todos. Uma fotografia possui o poder de dizer a verdade, de fazer uma viagem ao tempo, de transmitir sentimentos.

O ato de fotografar tornou-se parte do comportamento humano. Quem faz uma viagem e não faz nenhum registro fotográfico? Segundo um estudo feito na França, a maioria das casas tem uma câmera, mas em casas que há crianças a possibilidade dobra em ter pelo menos uma câmera fotográfica em relação à casas sem crianças. Não fotografar os filhos, principalmente quando pequenos pode ser um sinal de indiferença paterna, diz a pesquisa.

Fotografia significa muito mais que escrever com a luz. Fotografar é apropriar-se do objeto fotografado, é congelar o tempo, é eternizar um momento da sua vida. Fotografias chocam, divertem, emocionam, ensinam, salvam vidas, transformam o mundo.

Fotografia ontem e hoje


Foto: Michel Téo Sin

Desde que a produção e revelação do filme fotográfico foi industrializado, a fotografia ficou popularizada. Qual a família que não tinha (ou ainda tem) uma câmera 35mm compacta do tipo “point and shoot”.

Por conseqüência do avanço tecnológico e a popularização da fotografia digital podemos, hoje, encontrar no mercado celulares com câmera, palmtops que fotografam e câmeras digitais compactas cada vez mais acessíveis e com muitos recursos avançados.

Por um lado esse fenômeno é favorável, pois as pessoas podem registrar, eternizar momentos de suas vidas com muita facilidade e lembrar dessas experiências toda vez que a imagem for vista. Essa sensação de viagem no tempo é mágico.

Mas por outro lado, o ato de fotografar transformou-se apenas em apertar um botão. A facilidade, a possibilidade de ver a foto instantes após o click e a desnecessidade de comprar e revelar o filme banalizou o ato de fotografar e por conseqüência a fotografia.

Antes, comprava-se o filme e só se fotografava o que realmente merecia o registro, pois poderia ser desperdício de filme e revelação. Pensava-se mais antes, durante e depois do click, e com isso cada fotografia era feita com cuidado, carinho e com algum motivo.